Arruda – Bestiário de Versalha

Nome: Arruda

Outros Nomes: a erva protetora, erva da graça, ruta, arruda-fedida, arruda-doméstica, arruda-dos-jardins, ruta-de-cheiro-forte.

Classificação: Planta | Botânica

Descrição: É um subarbusto (plantas que, como arbusto, não têm um único fuste, mas vários saindo do solo), fortemente aromática, pode atingir até 1 metro de altura, apresenta haste lenhosa, ramificada desde a base. As folhas são alternas (onde as folhas se inserem uma por nó em diferentes pontos do ramo), pecioladas (segmento da folha que a prende ao ramo ou tronco, diretamente ou através de uma bainha), carnudas, glaucas (plantas cujas folhas estão recobertas com uma cera epicuticular que lhes dá um brilho baço e uma cor que pode ser facilmente alterada esfregando o órgão), compostas (apresentam o limbo dividido em pequenas porções chamadas de folíolos), de até 15 cm de comprimento. As flores são pequenas e amareladas. O seu fruto é capsular, de 4 ou 5 lobos, salientes e rugosos, abrindo-se superior e inteiramente em 4 ou 5 valvas.


Usos Medicinais

Suas folhas podem ser utilizadas como chá para finalidades calmantes, na forma de infusão, 15 á 30 gramas por litro de água. As folhas secas em pó servem para combater os piolhos.

É um forte estimulante e antiespasmódico (preveni a ocorrência de espasmos no estômago, intestino, útero ou bexiga), frequentemente usado na forma de infusão quente como emenagogo. Em doses excessivas é um veneno acro-narcótico (irritante em efeito local e narcótico em ação sobre os centros nervosos) e devido suas tendências eméticas (com capacidade de produzir vômito. Em altas doses, pode ser tóxico), não deve ser administrado imediatamente após a ingestão.

É um medicamente que se mostra útil para aflições mentais que causam agitação, afecções crupas (obstrução aguda da laringe devida a infecção, alergia, corpo estranho ou tumor, que provoca tosse, rouquidão e pode levar à asfixia), cólicas e flatulências, sendo um estomacal moderado. O óleo pode ser administrado com açúcar ou água quente.

A arruda externamente causa irritação na pele, sendo empregada como rubefaciente (o que produz uma congestão passageira e local, ao ser aplicado sobre a pele). As folhas se machucadas e aplicadas podem aliviar a forte dor ciática (o nervo ciático é aquele que desce por uma ou ambas as pernas a partir da lombar).

O seu suco caso espremido, em pequenas quantidades, é um remédio para pesadelos nervosos e as folhas frescas aplicadas nas têmporas aliviam a dor de cabeça. As compressas saturadas com uma decocção (as partes da planta são fervidas com a água por alguns minutos) da planta podem ser aplicadas no peito em casos de bronquite crônica.

Se uma ou duas folhas forem mastigadas, um sabor aromático refrescante irá invadir a boca e qualquer dor de cabeça nervosa, tontura, espasmos ou palpitações serão rapidamente aliviados. O uso em longo termo da arruma leva à fotossensibilidade.

A arruda é mais comumente usada para regular o ciclo menstrual, causando diminuição da menstruação. Além disso, a arruda contém altos níveis de flavonoides, particularmente rutina, que fortalece os vasos sanguíneos e, consequentemente, pode melhorar a visão. Como anti-helmíntico, pode tratar vermes parasitas. Deve-se notar que a arruda também contém furano cumarinas que podem tornar a pele sensível à luz, seja após a ingestão da erva ou ao tocar nos sucos da planta.

Dosagem: Erva em pó, 15 á 30 gramas, ou extrato fluído 1/2 á 1 dracmas. A arruda é administrada internamente como uma infusão, tintura, óleo ou cápsula. Para criar uma infusão, despeje uma xícara de água fervente sobre 1-2 colheres de chá de ervas secas e deixe infundir por 10-15 minutos. Beba até três vezes ao dia. Se estiver tomando uma tintura, tome 1-4 mililitros até três vezes ao dia. Rue não deve ser usado em grávidas ou se você deseja engravidar. Em altas doses, a arruda pode causar vômitos, fortes dores abdominais, graves danos renais e hepáticos e até a morte. No entanto, isso geralmente é em doses de mais de 120 miligramas ou mais (1/2 xícara de óleo).


Usos Culinário

Arruma é um prato sazonal tradicional de povos antigos (Roma, Grécia e Mediterrâneo). A planta é bem amarga e em quantidades suficientes podem causar vômito, então, é usado apenas em pequenas quantias. A arruda combina bem com carne, ovos, queijo e sabores ácidos. Para um melhor gosto deixe a arruda ferver em um líquido em cozimento quente já próximo ao final do tempo de cozimento para permitir que seus óleos sejam liberados na comida e depois descarte a erva antes de servir. Também é usada para dar sabor a cerveja e licores. Na antiga Roma a arruda (ou alguma das espécies do gênero Ruta) também era usada como tempero para carnes.


Usos Mágicos

A arruda é muito comumente amarrada em grupos e usada para aspergir pessoas e áreas, com outros óleos protetores. Seria também um dos ingredientes do Vinagre dos Ladrões, que bebiam o líquido para que quando fossem roubar os pertences dos falecidos pela peste não fossem afligidos pela doença. Também é pendurada nas portas e janelas para impedir a entrada de maus espíritos e esfregado no chão para impedir a entrada de pragas. Além disso, pode ser usada como talismã para proteção. Tem serventias para banir e proteger contra doenças e outras influências negativas.

Desde os tempos antigos são usadas para afastar doenças contagiosas. Outros povos usavam também contra o mau-olhado. Isso porque uma antiga lenda diz que as pessoas que usam um pequeno galho de folhas por cima da orelha, ou mantendo um galho no ambiente, para espantar os mais espíritos. Outras crenças antigas também dizem que a arruda protege contra venenos, lobisomens, basiliscos e até pulgas.

Os gatos acham o cheiro da planta repulsivo, isso criou a crença de que a arruda pudesse afastar tanto as bruxas como seus familiares. Porém, outros dizem que a arruda é usada justamente pelas bruxas para ajudá-las a se identificarem. Pode ser adicionada ao incenso durante os rituais e para feitiços de cura para aumentar a potência da magia.

Além da proteção, acredita-se que a arruda também melhora a visão e a criatividade. Respirar seu aroma clareia a cabeça e melhora os processos mentais. Dizem que Michelangelo e Leonardo Da Vinci consumiam regularmente pequenas quantidades de arruda para aumentar sua criatividade e clarear suas mentes. E esse elo de criatividade e proteção sobrevive nas cartas de baralho na forma de naipes.


Folclore-Mitologia

Plínio, o Velho [século I dC] (História Natural, Livro 8, 41): “Se uma doninha é ferida em uma luta com ratos enquanto os caça, ela se cura com a erva arruda. “

Bartholomaeus Anglicus [século 13 EC] (De proprietatibus rerum, livro 18): “Mas ele [basilisco] é dominado pela doninha; e os homens trazem a doninha para a cova do basilisco, onde ela espreita e se esconde. Pois, o pai e criador de tudo não deixou nada sem remédio. … a doninha, o pega e o vence, pois, a mordida da doninha é morte para o basilisco. No entanto, a mordida do basilisco é a morte para a doninha. E isso é amenizado, mas se a doninha comer arruda antes.” (Mediaeval Lore from Bartholomew Anglicus (London, 1893/1905) Steele edition of 1905)

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