Origem da Bruxaria – O que é Bruxaria?

Bruxaria X Feitiçaria

Para o melhor entendimento do fenômeno da bruxaria, precisamos entender a sua definição. Apesar de o significado de magia ser relativo, porém para a finalidade de uma análise mais apropriada a definição que propomos aqui não necessariamente condiz com as crenças pessoais de cada indivíduo e sim uma delimitação de sentido condizente com as terminologias acadêmicas. Apesar disso esse texto não é acadêmico, com o objetivo de passar essas informações de um jeito mais simplificado.

Na terminologia antropológica o termo “bruxaria” se difere do que seria a “feitiçaria”. Isso porque as bruxas não usariam ferramentas físicas ou ações para amaldiçoar, ou embruxar alguém, enquanto as feiticeiras sim.

Na década de 20 o antropólogo inglês Evans Pritchard se dedicou a estudar as peculiaridades de um povo no sudão anglo-egípicio, os chamados Azande. Seu objetivo primeiro era estudar o sistema de trocar, porém, o pesquisador percebeu a importância da bruxaria para aquela comunidade e decidiu pesquisar esse aspecto. Para os azande a bruxaria é algo corriqueiro e funciona como uma forma de explicação para os infortúnios. Apesar disso, os casos de bruxaria estão condicionados a diversos tabus da comunidade.

Os azande apresentam também uma diferenciação muito clara de bruxaria e feitiçaria. (Pritchard, Evans. Bruxaria, Oráculos e Magia entre os Azande.Capítulos: A Bruxaria É um Fenômeno Orgânico e Hereditário; A Noção de Bruxaria como Explicação de Infortúnios.) A bruxaria teria o seu efeito/malefício percebido como algo que se estenderia de alguma qualidade interna intangível. E a pessoa poderia não ter consciência de ser uma bruxa, ou pode ter sido convencida de sua natureza pela sugestão de outros.

A feitiçaria precisaria de ferramentas enquanto a bruxaria seria um poder inato.

Outros antropólogos, nos primeiros anos da antropologia, se dedicaram a estudar, dentre outros aspectos, a bruxaria entre sociedades pré-capitalistas. Isso aconteceu pelo próprio desenvolvimento da antropologia, já que essa ciência tinha um foco muito grande nas sociedades isoladas, consideradas exóticas. E nessas sociedades ainda havia manifestações de bruxaria e outras religiões consideradas pagãs em um momento em que o capitalismo já colocara essas crenças às margens da sociedade.

O Nome da Bruxa

As diferentes sociedades e culturas operam de formas distintas, então nem todos os idiomas diferenciam a feitiçaria da bruxaria, por exemplo. Logo essas práticas mágicas e suas praticantes possuem o nome de acordo com a sua origem, possuindo diferentes significações. Alguns indícios indicam que a palavra “bruxa” teria nascido na Era Antiga na Península Ibérica e que a sua origem seria anterior à invasão romana e por consequência anterior ao próprio latim, por exemplo. (O mesmo processo ocorreu com as palavras bezerro, cama, morro e sarna conforme o professor doutor em Letras Claudio Moreno (UFRGS) explica em seu livro Morfologia Nominal do Português.)

Com a Idade Média e o crescente poder da Igreja a “bruxa” começou a ser vista exclusivamente como uma mulher que trabalharia com e para o diabo. Isso simplificou a figura da bruxa, dando a ela o retrato mais comum atualmente, que é a das bruxas da Idade Média, que sofreram com a Inquisição (que, na verdade, já ocorreu na Idade Moderna, bem mais próximos dos tempos atuais do que imaginamos!)

Apesar de teorias diversas sobre o surgimento dos termos bruxaria e feitiçaria, ambos estão ligados em sua origem à noção de magia. A magia seria a crença em um kosmos ordenado em que há uma ordem de coisas e que estas sempre encontram seu devido lugar. Mas que, no entanto, há a possibilidade de que ações humanas conscientes propositais podem gerar um rearranjo da ordem natural das coisas. Por isso toda magia utiliza elementos naturais, pois o que está em jogo é a ordem das coisas como elas estão dispostas na natureza.

Bom, na língua portuguesa o uso da palavra “bruxaria” designa o uso de poderes de cunho sobrenatural, sendo também usada como sinônimo de feitiçaria (não temos essa diferenciação tão forte em nossa cultura). Já as tradições bruxas são conjuntos de crenças e práticas de bruxaria específicas e independentes.

Magia Negra x Magia Branca

Toda essa confusão acumulada ao longo dos anos em relação à bruxaria fez com que tanto praticantes quanto leigos criassem equivocadamente a dicotomia “magia branca” e “magia negra”. Ou seja, aqueles que praticam o “bem” praticariam magia branca enquanto os que praticama o “mal” a magia negra. Porém, os praticantes da bruxaria em seu sentido mais lato não se pautam por tais conceitos de bem e mal, considerando a magia como cinzenta. Uma dualidade expressa metaforicamente de várias formas, que englobaria tanto o “bem” quanto o “mal”, a luz e a escuridão, o positivo e o negativo, etc…

Hoje, a divisão da bruxaria se definiria pelos grupos de bruxaria tradicional e de bruxaria moderna. Há diversas categorias de abordagem acerca da bruxaria como a história social e a antropologia que enxergam o fenômeno de maneiras distintas apesar de haver alguns consensos.

A bruxaria não é uma religião, nem estruturada em um dogma rígido. E atualmente com o uso de tecnologias de informação modernas, grupos de praticantes (chamados “covens” quando em vertentes modernas) puderam se expandir para além de fronteiras geográficas locais, o que levou a uma considerável multiplicação de tradições de bruxaria entre fins do século XX e início do século XXI.

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